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Actualmente, o estudo morfológico dos traços de ocupação e uso do território, deve também valorizar o desenvolvimento das actividades mineiras, que funcionam como pólo aglutinador de gentes e serviços, as quais dependem por sua vez de outro tipo de recursos, designadamente agrícolas, que passam a ser produzidos na época romana de acordo com outra estrutura de exploração, assente em estabelecimentos de tipo villa, ou aglomerados rurais.

Daí que o estudo da mineração e das técnicas metalúrgicas deva ser articulado com a reorganização do território, pois a intensidade da exploração mineira na época romana determinou fenómenos de reordenamento do povoamento e alterações nas estruturas produtivas.

Idade do Ferro, romanização, ourivesaria e arqueometalurgia são palavras-chave num contexto de povoamento e exploração dos recursos mineiros, principalmente o ouro.



 


 
     
 
Exploração mineira do ouro em época romana
   
 
 




 

O período áureo da mineração do ouro no território actualmente português ocorreu durante a governação de Trajano, 98-117 d.C.,
por coincidência, ou não, o primeiro imperador natural da Hispânia, apesar da sua exploração ter começado em finais do séc. II / inícios do séc. I a.C.

Os grandes investimentos que a exploração mineira e transformação do minério implicavam, levaram a que o Estado fosse o principal promotor destas actividades assim como sociedades; os proprietários de terras passíveis de exploração preferem alugá-las para fazer face aos riscos inerentes a todo este processo. O próprio Estado poderá por vezes ter interesse em arrendar coutos mineiros, evitando investimentos dispendiosos.

Em relação à administração jurídica mineira, os dados existentes são escassos, exceptuando as tábuas de Vipasca. É certo que existem dois tipos de exploração, um directo e o outro indirecto; este último é explicitado na Lex Metalla Dicta. Tendo em conta o número de explorações auríferas inventariadas, não será muito crível que em todas elas seja preconizado o mesmo modelo de exploração, mas também não existem suficientes dados para atribuir a cada uma das minas o seu processo de exploração. Adiciona-se o facto de que as minas auríferas não estavam obrigadas a uma exploração directa.

Em termos de trabalhos de mineração pode-se falar de dois grandes tipos: um subterrâneo, compreendendo uma extracção através de galerias e poços, e outro a céu aberto, cortas e trincheiras. Qualquer dos trabalhos apontados pode ser realizado em jazigos primários ou secundários, apesar de, nos primeiros, a rocha e argilas compactas poderem ser autênticos gigantes de Adamastor para os mineiros romanos.

Os instrumentos mineiros utilizados são vários, incluindo o malleus e a ascia, para ajudar a dura tarefa de desbravar a rocha, muitas vezes parcamente vista à luz das lucernas.
O abandono da exploração mineira do ouro, na sua forma sistemática e intensiva, não deve ser encarado como uma ruptura fixada algures nos inícios do séc. III, uma vez que esta actividade terá prosseguido numa boa parte das áreas mineiras durante os séculos seguintes.

Os dados cronológicos fornecidos pelo espólio encontrado nas minas ou nas suas imediações apontam para uma continuidade ao longo do séc. IV e mesmo em inícios do séc. V d.C., pelo menos em algumas minas. A importância das minas não é igual, nem os seus teores em ouro, pelo que poderá existir uma continuação nas minas principais, essencialmente nas do Noroeste.